World Cup 2010 – South Africa

Numa fase já adiantada da prova, já é possível ter uma noção do que está a ser este Campeonato do Mundo. Primeiro que tudo, temos que nos convencer que, e isso é o que me irritou mais na reacção do público, o futebol actual está  muito mais físico, muito mais cauteloso, muito mais técnico-táctico. Por isso, é complicado para equipas que baseiam o seu jogo em futebol bonito e apoiado conseguirem impor a sua filosofia em campo. Tem sido, nesse aspecto, uma competição muito rica a nível estratégico. Tirando meia-dúzia de situações, nunca houve um jogo em que houvesse uma esmagadora vitória ou exibição de uma das equipas. Obviamente, retiro os exemplos do Portugal-Coreia e Alemanha-Austrália. Tem sido uma competição muito equilibrada, e isso é fantástico para uma prova destas, que junta selecções dos 4 cantos do mundo.

Prosseguindo, em todas as 32 selecções, houve grandes surpresas, tanto pela positiva como pela negativa, houve grandes confirmações, novamente tanto pela positiva como pela negativa. Primeiro que tudo, as grandes desilusões são obviamente a França e a Itália. As finalistas de 2006 ficaram arredadas logo na primeira fase. Em circunstâncias completamente distintas, diga-se de passagem. A França possuía um plantel fantástico, mas um treinador que já não tinha estabilidade para continuar no comando da selecção. Domenech é obviamente o grande responsável pelo desaire francês, onde a ruptura entre os próprios jogadores também foi evidente. A Itália, por sua vez, está a sofrer uma enorme crise de identidade. Orfã dos grandes craques dos anos 90, princípio dos 2000, a Itália está desesperadamente à procura de jogadores símbolo. Vejamos que o grande nome desta selecção tinha 36 anos! E é defesa! Penso que, independentemente de estar fora de forma ou pela época atribulada que teve no Roma, Totti era uma peça vital, pois é dos últimos resistentes da remessa de grande qualidade que a Itália teve no final dos anos 90. Depois, sofreu imenso pela lesão de Pirlo. Tenho a certeza que com o milanista em forma, a equipa ainda estaria em prova. Mas, como já disse, a Itália está a passar a pior fase dos últimos anos, muito por culpa da invasão de jogadores estrangeiros no scudetto. Vejam que o 11 do actual campeão italiano e europeu tem… nenhum italiano. Isto, meus amigos, diz tudo.

Outra desilusão foi a Dinamarca. Muito por mérito do Japão, obviamente, mas esperava muito mais dos Vikings. No jogo decisivo, foi notória a fadiga e idade já bem avançada dos seus principais intervenientes: Tomasson, Romedahl, Gronkjaer e Jorgensen. Tal como em Itália, é preciso uma nova lufada de ar fresco na Dinamarca. Muitas outras selecções do continente Europeu foram meras miragens, casos da Sérvia, Grécia e Suiça, que em boas situações para singrar, falharam. Por fim, as selecções africanas, num plano geral, com os Camarões e a Nigéria em plano maior. Não falo na Costa do Marfim porque realmente calhou no pior grupo deste Mundial, mas acima de tudo os Camarões, tinham obrigação de fazer mais. A Nigéria, sem Mikel, tornou-se uma equipa mais vulnerável, apesar de ainda ter feito boas exibições, com um excelente guarda-redes.

As surpresas também sido muitas. Os Estados Unidos confirmaram o estatuto que tem vindo a ganhar desde 2002 e parece-me que a equipa, com maior projecção no país norte-americano, pode tornar-se um caso sério. O problema será sempre a popularidade deste desporto, que simplesmente não cativa os jovens americanos. O Japão foi uma grande surpresa, superiorizando-se à Dinamarca de forma brilhante, com bons jogadores e um autêntico craque (Honda). A Nova Zelândia, devido ao impressionante empate frente à Itália, também merece algum destaque. A Coreia do Sul também esteve muito bem, batendo no decisivo jogo inaugural contra a Grécia. Foi o suficiente para os asiáticos chegarem pela 2ª vez aos Oitavos de final de um Mundial.

Destaque óbvio para as equipas sul-americanas. Esperava-se um Brasil e uma Argentina forte, mas a supremacia de todas as equipas do continente foi por demais evidente: Chile, Paraguai e Uruguai exibiram um futebol de excelente qualidade. E atenção com este Luiz Suarez…

Uma palavra de apreço à melhor equipa africana em prova: o Gana. Em 2006, mostrou excelente serviço e, depois de provar enorme talento nos sub-20, eis que o Gana está pronto para as curvas. Com uma selecção jovem e incrivelmente física, apenas a inexperiência pode travar esta equipa. Frente ao Uruguai, este grupo de jovens vai ter o derradeiro teste de fogo.

Por fim, no continente Europeu, falta ainda falar sobre a confirmação de todo o trabalho que Klinsmann começou e Low continuou sem mácula. Este 4-1 frente à Inglaterra, apesar do golo anulado, não foi obra do acaso. Uma equipa incrivelmente consistente, muito bem estruturada, futebol físico, directo ou apoiado, consoante as situações, enfim. É provavelmente a melhor selecção deste mundial. A Inglaterra, continuando a insistir num futebol directo, apenas com médios interiores, falhou redondamente. A Espanha, apesar da derrota inicial, continua a ser a maior candidata. O problema dos espanhóis pode muito bem ser esta próxima eliminatória, frente a Portugal, que defensivamente é a melhor equipa da prova. Bruno Alves, Ricardo Carvalho e Pedro Mendes tem sido autênticos esteios da selecção nacional. Será um fabuloso jogo, em que Portugal terá de saber explorar o contra-ataque em transições rápidas, porque a Espanha vai obviamente apostar no seu terrível futebol apoiado. Quem tem Xavi, Iniesta, Fabregas…

Uma breve análise a este Mundial. Muito competitivo, não muito bonito, mas equilibrado. Estratégias bem montadas, boas definições de jogo. Defensivo? Jogar a medo? Talvez… mas este é, quer queiram quer não, o futebol actual.

Estreia

Ora viva. Este será mais um espaço para este novo treinador de bancada exprimir tudo o que acha sobre os últimos acontecimentos no mundo do Futebol, ou até sobre o que se passou em 19 e troca o passo. Em ano de Mundial, é óbvio que as atenções ainda se centram na África do Sul, onde a nossa selecção ainda tem esperança de repetir 2006 ou até fazer melhor.

Fifa World Cup 2010

Fifa World Cup 2010

Devo dizer que vou tentar insistir um bocado em acontecimento do passado. Pessoalmente, fascina-me imenso ver jogos da selecção do Brasil de 1970 ou de 1982, da Holanda de 1974 ou de 1988, Argentina de 86 até Portugal de 2000. Consigo ser um rato de biblioteca no que diz respeito ao futebol, confesso.

Portanto, está inaugurado este novo espaço. Espero estar à altura do desafio… que na verdade não será nenhum :)

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