Sonho Terminado

E despedaça-se o sonho. Portugal caiu aos Oitavos de Final frente à actual Campeã Europeia e, indiscutivelmente, uma das melhores selecções da actualidade. Um jogo bastante equilibrado, durante a 1ª parte, Portugal soube fazer uma pressão muito boa, jogando sempre com os 11 jogadores atrás da linha da bola, com um Hugo Almeida em excelente plano, não só no pressing como nas transições de ataque. Atreveria-me a dizer que, ao lado de Coentrão e Eduardo, Almeida foi um dos melhores elementos nacionais em campo.

CR7_Queiroz

CR7 e Queiroz

A segunda parte revelou uma história completamente diferente. A Espanha, que possuí o melhor jogo apoiado do mundo, foi obrigada a começar a construção de jogo mais atrás, ainda no seu meio-campo. E é aqui que Queiroz dá o tiro no pé, quando tenta dar maior mobilidade e velocidade ao ataque, tirando Almeida por Danny. Primeiro que tudo, é um erro crasso tirar o único jogador que estava a fazer pressão sobre os defesas da Espanha. Deixou-se de ter um jogador referência. E pior ainda, entra Danny, que já tinha provado estar fora de forma e sem qualidade de jogo. Um erro crasso do treinador português. A Espanha, lendo bem o jogo, fez exactamente o contrário, colocando Llorente como jogador fixo, obrigando a marcação dos 2 centrais, dando mais espaço para Villa e Iniesta. As dobras que eram feitas nas faixas desapareceram e aqui viu-se bem que a decisão de colocar Ricardo Costa como lateral direito foi outra falha enorme. Outra questão que se levantou teve a haver com a colocação de Pepe. Vou ser franco, acho que Pepe esteve bem enquanto esteve fisicamente apto. Foi um importante jogador para fechar o bloco composto por Tiago e Meireles, mas a questão física foi determinante. Pepe está sem ritmo e foi um erro de casting desta convocatória.

Depois de sofrer o golo, foi sofrer a bom sofrer a ver a Espanha a trocar a bola como ninguém. Como já tinha dito, quem tem Iniesta e Xavi, boa circulação de bola é quase garantida. Nem mesmo as substituições de Mendes e Liedson, já em desespero, foram o tónico para reavivar a selecção que, nesta segunda parte principalmente, nunca foi capaz. A Espanha foi incrivelmente inteligente para começar a construção numa zona do campo onde sabiam que Portugal não ia subir o bloco.

Uma última palavra sobre o nosso astro, Cristiano Ronaldo. Péssima exibição, mas com uma incrível falta de apoio. Com Simão completamente fora de jogo, a responsabilidade caía quase sempre em CR7. Como Portugal tentou sempre jogar em futebol directo para o trio da frente, Ronaldo nunca teve a chance de desequilibrar.

Acabou-se um mero sonho que o povo português alimentou durante estas últimas semanas. É notório que esta selecção está longe da chamada geração de ouro, onde havia um tipo de futebol muito mais bem estruturado e organizado. Por isso, esta eliminação, perante o adversário e o nosso real valor, não é coisa que me deixe muito desanimado, embora fique sempre aquela amargura. Agora é assistir ao resto do Mundial e ver até onde chega esta Espanha, que finalmente aparece nesta competição.

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