Holanda – Futebol Total
Julho 4, 2010 Deixe um Comentário
Futebol Total é talvez o conceito de jogo mais inovador e, ao mesmo tempo, o mais arrojado de toda a história do futebol. Numa época em que muitas equipas já utilizavam sistemas como o 4-3-3 que o Brasil popularizou em 62, ou mesmo o 5-3-2 de Helenio Herrera, o Ajax e a Holanda de Rinus Michels adoptou uma filosofia de jogo em que todos os jogadores não tem uma posição fixa em campo. Ou seja, é feita uma adaptação por cada jogador para todas as posições no campo. Isto requer uma cultura táctica fora do normal e uma capacidade física brutal. A Holanda que participou no Mundial de 1974 personificou na perfeição esse sistema. Depois do grande sucesso do Ajax na Taça dos Campeões Europeus, era dado o assalto final ao título mais ansiado no mundo do futebol.
Com Cruyff a liderar a Laranja Mecânica, a equipa tornou-se um cabo dos tormentos para os adversários. A capacidade de rotação matava qualquer equipa que centrava marcações individuais, sendo também que a pressão sobre o homem da bola era feita ainda dentro do meio-campo do adversário, sempre pelo jogador que estivesse em melhor situação para fazer essa pressão.
A capacidade individual de cada um dos jogadores era abismal. Obviamente, Michels não aplicou este sistema de jogo por acaso, sendo que as características do plantel permitiam este jogo dinâmico. Então Cruyff, provavelmente um dos melhores senão mesmo o melhor jogador de sempre, era um autêntico craque.
Penso que actualmente é muito complicado implementar um sistema assim no futebol actual. A rigidez táctica que se pede na alta competição nos dias que correm não me parece que permita uma rotação tão grande na troca de posições. Isso acontece em algumas equipas de alto nível, como o Barcelona, onde o meio campo tem várias transições que podem criar mudança de posições, muito por culpa de Xavi e Iniesta, mas não numa escala tão grande como nesta Holanda. Outro pormenor importante tem a haver com o desgaste físico, penso que esta filosofia de Futebol Total implica um desgaste físico brutal, tendo em conta que, pelo menos, do meio-campo para a frente, a troca de posições e a pressão, aquando sem bola, é sempre constante.
É uma filosofia de jogo quase utópica, que a Holanda de 1974 conseguiu implementar quase na perfeição. Infelizmente, dirão alguns, apenas falhou no teste final frente à RFA. A Holanda teria de esperar mais 14 anos para conquistar uma grande competição de selecções, quando venceu o Euro 1988, com aquele golo simplesmente imortal de Van Basten na final frente à URSS. Resta saber até onde pode esta Holanda 2010 chegar neste Mundial. Será finalmente a conquista do título mundial, que ficou prometido com a super selecção de 74?
