Benfica 2011/2012 – Fracasso ou não?
Maio 4, 2012 Deixe o seu comentário
Já vão quase 2 anos que não mexia neste blog, sendo que nos últimos dias tive vontade de comentar alguns dos últimos acontecimentos no mundo do futebol, acima de tudo sobre o meu SLB. Com mais uma temporada a chegar ao fim e com a forte contestação sobre a equipa técnica e sobre a administração, vale a pena rever tudo o que aconteceu neste último ano desportivo para realmente perceber até que ponto esta temporada foi mais um erro de casting ou não.
Há vários erros que podemos apontar a Jorge Jesus: falta de conhecimento táctico, a não-cadência para os momentos decisivos, embirração em vários jogadores que não tem nem de perto lugar na equipa, o constante ego sempre a sobressair nos momentos em que secalhar devia ficar calado, etc. Continuo a achar que Jorge Jesus é um treinador à Benfica. Um treinador que motiva os atletas. Se o seu ciclo já terminou, essa é outra questão. Mas os factos são estes: desde da dupla Eriksson-Tóni que não tinhamos um treinador tão competente. Ou será que esqueceram-se do que se passou nestes últimos 20 anos? Durante anos e anos, o 3º lugar foi uma constante na nossa campanha na liga, tendo chegado a terminar épocas em 4º e 6º lugar. Estamos a falar em épocas que chegaram a ter 3 e 4 treinadores numa só época. Portanto, acho que Jorge Jesus foi o primeiro treinador que, em muitos, muitos anos, conseguiu criar uma empatia com a massa associativa e conseguiu fidelizá-la, estando a ser quebrada só nestas últimas semanas. Penso que este é um factor importante que não se pode descurar. Por isso, Jesus não perdeu o apoio por falta de apoio dos adeptos. Jesus perde o apoio quando começa a insistir num discurso egocêntrico, nunca tendo assumido responsabilidade pelos desaires que sofre e, acima de todos os outros factores, tem selecções claramente parciais no que diz respeito à gestão do plantel e na escolha dos jogadores do 11 titular. Émerson e Roberto são os exemplos mais gritantes. Torna-se inviável a utilização dos jogadores, independentemente do seu valor, devido às más prestações e, acima de tudo, à pressão que depois é aplicada. Jogar no Benfica é a tarefa mais complicada em num clube de futebol em Portugal, porque não há margem de erro. No entanto, Jesus tem insistido em vários jogadores que mediante a sucessão de erros, já deviam ter sido excluídos das suas escolhas. Émerson então é o caso em que embirro mais, pois é mais que óbvio que é um jogador que não tem qualidade nem classe para jogar no Benfica. Depois há os casos de embirração, os casos de jogadores que, teoricamente teriam lugar no 11, mas ficam de fora. Este ano tivemos vários casos: Capdevilla, Saviola, mesmo Nolito, se não são as grandes exibições no início da temporada teria sido encostado, Miguel Vitor, etc. E depois a assustadora gestão do plantel: a equipa ficou com Matic, Witsel, Aimar e Javi Garcia para 3 posições. Numa equipa que está em 3 competições, é impossível fazer uma gestão destas. Era obrigatório ter ficado com Ruben Amorim, David Simão ou mesmo Carlos Martins. Outro aspecto negativo nesta campanha de JJ são as constantes falhas nos momentos decisivos, nos jogos-chave. Se no ano passado já havia sido terrível, com os péssimos jogos contra o FCP na Taça e Braga na Liga Europa, este ano não ficou atrás com os jogos frente ao Vitória de Guimarães, FCP e Sporting. Considero que o que aconteceu em Guimarães definiu o campeonato e foi a falha mais grave de toda a temporada, pois ninguém, no seu perfeito juízo, pode ir jogar a Guimarães só com um médio defensivo. É simplesmente inviável. Por fim, a insistência em sacudir a responsabilidade para o lado: durante esta temporada ouvi demasiadas vezes que a responsabilidade do Benfica perder pontos é do homem do apito. Meus senhores, por favor, o Benfica não pode perder pontos por causa do árbitro: em quase todos os jogos em que há queixas, o Benfica fez sempre exibições miseráveis: em Coimbra, talvez a pior primeira parte da época; em Olhão idem; contra o Sporting levaram um baile de meia-noite. Se há jogos em que nos podemos queixar da arbitragem, mas não desarmaram e cairam de cabeça erguida, foi na eliminatória frente ao Chelsea. Em mais nenhuma situação aceito a desculpa da arbitragem: em praticamente todas as situações considero que foi sempre demérito do SLB.
Por isso, em relação à pergunta inicial, acho que sim, esta época 2011/2012 foi, em parte, um fracasso, mais uma temporada em que vemos o título fugir para o Porto que, com mais ou menos mérito, venceu o título, sendo que a equipa nortenha não tremeu nos momentos cruciais, e por momentos cruciais refiro-me acima de tudo aos jogos na Luz e em Braga. E, ao contrário do que tinha acontecido no ano passado, este ano houve mesmo a sensação que o campeonato era nosso, que nada iria parar a avalanche ofensiva do Benfica. Isso torna este desaire ainda mais custoso de engolir e de digerir, o que também tem ajudado para toda esta contestação a JJ. No entanto, gostei de ver a excelente campanha do Benfica na Liga dos Campeões. É importante referir que nós não atingíamos a fase dos Quartos de final desde 2006 e ver o Benfica entre as 8 melhores equipas da Europa é um factor que não pode ser esquecido. E a forma como fomos eliminados, com uma atitude e entrega brilhantes, faz com que esta tenha sido uma campanha para mais tarde recordar.
Sobre a continuidade de Jorge Jesus, há aqui vários factores que temos de ter em conta. Penso que o ciclo JJ prometeu demasiado logo na primeira temporada, porque o futebol que foi apresentado nessa fase foi mesmo de grande qualidade, o chamado rolo compressor, e acho que criou demasiadas expectativas nos adeptos benfiquistas. A segunda temporada já foi um reflexo dessa expectativa, acho que houve demasiada auto-confiança e isso explica em parte aquele início terrível da temporada 10/11. Esta época arrancámos bem, é preciso não esquecer que fomos a última equipa europeia inserida em competições internacionais que perdeu em jogos oficiais, e o futebol praticado era de muito boa qualidade. Eu achei, em partes da temporada, que estávamos ainda mais apurados que em 09/10. Mas a rotação desta vez falhou e, nos momentos capitais, a equipa cedeu. Por isso, fazendo este breve balanço, Jorge Jesus tem grandes defeitos, grandes teimosias, mas após tantos anos que tivemos a depenar pelo futebol português, foi o primeiro treinador que encontrou estabilidade e margem de manobra para aplicar o seu futebol. Tenho um certo receio em, tomando a decisão de despedir o treinador, correr o risco de voltar aos tempos infelizes de 95 e voltar a perder esta estabilidade que se conquistou, quer gostemos ou não de Jorge Jesus. Por isso, defendo a continuidade de Jorge Jesus dando mais o ano de contrato que resta, sendo que, acima de todas as suas responsabilidades, terá de ter mais cuidado na gestão do seu plantel e não ter qualquer tipo de factor exterior na decisão das suas selecções.


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